[Critica de Conto] "A Sétima Onda" de Juan Jullian

 O poder e a intensidade da mudança.


A ilustração de um rapaz negro de cabelo crespo, olhos fechado, camisa branca e guia colorida no pescoço com uma cobra enrolada numa das mãos.


  "A Sétima Onda" é um conto dramático com a presença da espiritualidade de matriz africana que reflete e mostra a intensidade da mudança, a partir de um protagonista que tem seu relacionamento afetivo terminado as vésperas do réveillon. É interessante como Juan trabalha as reações e escolhas (ou não) de como o seu personagem lida com esse novo estado. Uma passagem demonstra bem o poder da mudança quando o protagonista diz temer as revelações dos Orixás porque eles trazem mudanças que demandam muita energia e força, coisas que nem sempre ele pode estar pronto para lidar. Essa reflexão sobre a força que as mudanças exigem de nós surge ao longo do texto, escrita de uma maneira bastante sensível e poética por Juan que nos faz também refletir sobre coisas que são importantes e necessárias para nós e não prestamos a devida atenção, algumas vezes antes do tempo. É um conto que possui uma carga bastante reflexiva, mesmo que jamais ficando pedante ou denso demais. Juan conduz seus elementos religiosos e reações mais viscerais dos relacionamentos interpessoais de uma forma bastante equilibrada, sem em nenhum momento uma coisa sobrepujar a outra. É uma narrativa sensível, bela e muito profunda. 

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